[1° de Maio – CAB] Do luto a luta: Viva o 1° de Maio, dia de luta das trabalhadoras e trabalhadores!

Não é de hoje que Anarquistas se deparam com a encruzilhada que faz atravessar duas expressões que simbolizam – inclusive nas cores de nossa bandeira – a corrente Libertária do Socialismo: A Luta e o luto!

Na data de 1º de maio essas expressões ganham significado materializado nas lutas por direitos e no luto por aqueles que se tornaram os “Mártires de Chicago”. Nunca é demais fazer memória àqueles que entregaram suas vidas para uma luta que representava muito mais que “às 8 horas de trabalho diário”… Aquela era uma luta que carregava os anseios de socialismo e liberdade de toda uma classe, composta por mulheres e homens, das quais somos herdeiros e herdeiras. Esse é um fato que, muito antes de qualquer distinção, nos convoca a compromissos e responsabilidades que não podemos nos furtar.

Vivemos um momento de grandes e graves ataques dirigidos pelas elites econômica/empresarial, judiciária e militar à nossa classe, as e aos oprimidos, as trabalhadoras e aos trabalhadores. Ataques materializados nos cortes de direitos sociais, na destruição dos serviços públicos, no cerceamento de liberdades públicas, no aumento do custo de vida e, sobretudo, através do recrudescimento da repressão sobre toda e qualquer forma de oposição e resistência, seja sobre movimentos sociais ou, direcionada diretamente a lutadores e lutadoras do povo. Convencionamos que neste momento estamos atravessando um “Estado Policial de Ajuste” fortemente marcado pela ação reacionária do judiciário e seus aparatos! Um Estado-policial que caminha junto a ação paramilitar e reacionária no campo e na cidade, materializado no assassinato de militantes de movimentos populares rurais, defensores de direitos humanos (como Marielle) e lideranças camponesas, quilombolas e comunitárias.

Sofremos igualmente o ataque voraz do capital-imperialismo estadunidense e sua ação de pilhagem que se intensificou particularmente no último período em toda a região latino-americana.  Assim como, observamos os ensaios de controle militar dos de baixo, promovidos pelo exército brasileiro e sua intervenção militar-federal no Rio de Janeiro, que desde o seu início colocava-se como um “laboratório” que poderia se estender a outros estados do país.

Além das reformas trabalhista e previdenciária, enfrentamos um cenário de precarização sem precedentes nas relações e nas condições de trabalho, viabilizadas pelas medidas de terceirização e flexibilização dos contratos de trabalho. A grande maioria dessas trabalhadoras e trabalhadores terceirizados enfrenta uma realidade cruel de jornadas de trabalho estafantes, de ausência de equipamentos de proteção individual para evitar acidentes de trabalho e de salários extremamente baixos e muitas vezes pagos de forma parcelada, quando não atrasados por meses.

Tem direitos como férias e 13º salário relativizado e muitas vezes não pagos. Enfrentam subcontratações de empresas fantasmas e de “sindicatos caça-níqueis” que muitas vezes são geridos pelas mesmas contratantes.

Tudo isso conforma um cenário que dificulta sua organização enquanto trabalhadores e trabalhadoras e, por sua vez, praticamente inviabiliza mobilizações que possam confrontar essa situação. Em nossa opinião, a esperança liberal e republicana na democracia burguesa e em seu circuito viciado eleitoral não deve pautar a luta dos/as de baixo. Os palanques eleitorais não são instrumentos de mobilização nem de acúmulo de força social contra a reação dos projetos autoritários. Acreditamos que é apenas fortalecendo um polo de resistência que envolva o conjunto dos movimentos popular e sindical, que conseguiremos, nas bases e nas ruas, derrotar o avanço reacionário e os ataques aos nossos direitos.

A luta e a resistência a essa realidade de destruição de direitos e de precarização das relações de trabalho passa pelos Sindicatos, instrumentos históricos de organização da nossa classe, pelos movimentos camponeses e comunitários. Participar e disputar os espaços de organização sindical e popular para que voltem a estar a serviço dos e das trabalhadoras/es é um dever que nós, enquanto Anarquistas Organizados, não renunciamos!

Apesar do diagnóstico de que os sindicatos estão, em sua maioria, tutelados pelos interesses escusos de partidos eleitorais que se manifestam no modo de agir das grandes centrais sindicais, que mais dificultam e freiam os processos de luta do que os favorecem, defendemos que esses espaços são fundamentais e não podem ser abandonados.

Muitos apontam, então que o problema do sindicalismo seria de “direção”. Mas essa leitura não atinge uma questão central que é o fomento de uma Cultura de Participação Política. Quando falamos de cultura estamos falando de hábitos e costumes, crenças e valores. Das práticas e do universo simbólico que dá significado a essas práticas. De algo que precisa ser fomentado e experienciado, não desmobilizado ou travado como tem ocorrido recorrentemente. Podemos então falar de uma Cultura Política de Participação sindical. A questão central é que a cultura sindical que foi mobilizada durante muitos anos afasta a participação direta (ação direta) em detrimento da “eleição de dirigentes salvadores”, ou até mesmo de filiação a grandes “centrais sindicais” que supostamente teriam a “experiência necessária” para “conduzir e representar” os interesses dos e das trabalhadoras.

 Portanto, a maneira mais lúcida de enfrentar a grave situação de retrocessos que vivemos passa pela construção cotidiana dessa Cultura de Participação Política desde os locais onde estamos inseridos que no caso dos e das trabalhadoras e trabalhadores, começa no local de trabalho e ganha expressão de classe no Sindicato. Em um cenário que aponta para o recrudescimento repressivo especialmente sobre a parcela “de baixo” da população, é fundamental retomar valores que estavam presentes naquele 1º de maio de 1886!

A luta e a resistência ao “Estado Policial de Ajuste” passam pelo reconhecimento, valorização e incorporação das experiências da classe trabalhadora tanto do passado quanto do presente. Nesse 1º de maio também é fundamental trazer para as lutas do presente o referencial das Organizações Operárias brasileiras do inicio do século XX, simbolizadas pelo sindicalismo de intenção revolucionária, na histórica Greve Geral de 1917 e pela insurreição geral com forte participação anarquista de 1918 que este ano completa 100 anos. Entre muitos exemplos exitosos, é fundamental reconhecer e aprender com as experiências recentes das greves de operários da construção, da educação, dos transportes, de municipários e municipárias de diferentes localidades do país. Fundamental reconhecer os recentes conflitos e greves envolvendo os setores de serviços onde há grande concentração de trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas.

Nesse 1º de Maio saudamos e fazemos memória às experiências históricas de ontem e de hoje! Erguemos nossa voz para afirmar que é somente através da LUTA que garantiremos a manutenção e ampliação de direitos e liberdades que são fruto de anos de Luta e de Luto do conjunto dos e das trabalhadoras e trabalhadores!

1º de Maio é LUTA!

Contra o ajuste e a repressão!

Abaixo o Estado Policial de Ajuste!

Viva à memória dos Mártires de Chicago!

Viva à LUTA das trabalhadoras e dos trabalhadores!

BARRAR AS REFORMAS NAS RUAS E CONSTRUIR PODER POPULAR!

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Venezuela e outra tentativa de invasão do Império. Brasil: milicos na rua – Federação Anarquista Uruguaia

Comunicado da Federação Anarquista Uruguaia (traduzido ao português)

A situação de desabastecimento torna-se cada vez mais complexa na Venezuela. Os grandes conglomerados da alimentação (como a Polar), juntamente a diversas entidades financiadas pelos organismos colaterais da CIA (como está bem documentado em vários estudos e artigos) provocam a escassez de produtos básicos com o objetivo de “desestabilizar” a situação social e gerar as condições para colocar um governo afinado com os interesses dos EUA e da direita fascista venezuelana.

Após as últimas eleições, a própria direita nucleada no MUD (Mesa da Unidade Democrática, coalizão de partidos políticos da Venezuela que fazem oposição à Revolução Bolivariana do PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela) foi se dividindo, e parte dela aceitou o resultado eleitoral. A parte mais obstinada do MUD mantém o plano de desestabilização projetado pela CIA, muito similar ao empregado para dar o golpe de Estado no Chile em 1973.

Nas últimas semanas, Rex Tillerson, o agora ex-secretário do Departamento de Estado dos EUA e empresário petroleiro ligado a Exxon, amigo de Vladimir Putin, esteve em excursão por vários países da América do Sul, incluindo Argentina, Peru e Colômbia, com o propósito de ajustar o cerco à Venezuela. Conseguiu o compromisso dos governos desses países, especialmente do Peru, de impedir a participação da Venezuela na VIII Cúpula das Américas, em 13 e 14 de abril. O Peru (país anfitrião) não convidou o governo venezuelano e isso gerou tensões em toda a região andina. Vários países da área exigem que as eleições na Venezuela sejam adiadas, mas nenhuma foi tão ativa em rejeitar o golpe de Temer, por exemplo. A  esse grupo de países se soma agora o Uruguai, fazendo as tarefas do império, colocando-se totalmente sob sua asa. É o fim da política “mais independente” em relação aos EUA que havia sido sugerida no período anterior. Vázquez e Nin Novoa têm linha direta com Washington e Almagro.

Por outro lado, manobras e tentativas de implantar forças paramilitares em território venezuelano foram denunciadas. Parece que o plano é invadir a Venezuela com as dramáticas consequências sociais que isso teria. Os EUA estão voltando a ter  o controle de seu “quintal” e não toleram qualquer governo que não siga sua partitura. Até mesmo o governo sandinista da Nicarágua suspendeu as exportações para a Venezuela devido às pressões dos EUA.

Voltamos a ver novamente os “golpes suaves” ou “parlamentares” do Paraguai e do Brasil, uma tentativa de aumentar a presença militar na região, a fim de manter controladas as áreas de interesse direto dos EUA, como a Venezuela, uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Sobretudo, após o fracasso retumbante das aventuras imperiais no Oriente Médio.

São tempos mais complexos para os povos do continente. O império pisa e ajusta os passos, não quer perder terreno e quer um controle efetivo e forte das populações e territórios. Tem seus aliados e eles jogam pesado também. No Brasil, a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro é um laboratório do que virá para todo o país, com uma forte militarização da vida social, onde a única coisa que o Estado se propõe a fornecer aos pobres é a repressão. O assassinato de Marielle Franco, vereadora do PSOL e que investigava a intervenção federal no Rio, assim como tinha denunciado várias vezes a repressão e a ação policial nas favelas, é uma prova clara do estado de militarização que está sendo imposto no Brasil, para arrasar os direitos dos que estão abaixo e impor um modelo neoliberal puro e duro.

São tempos onde avança tudo o que é reacionário. Mas nestes tempos também avança a luta popular e propostas de uma sociedade diferente como aquela que proclama o anarquismo e se propagam na militância cotidiana. Nossos companheiros da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vêm desenvolvendo uma importante militância e, portanto, o Estado também tem como alvo o anarquismo como um “fator preocupante” para seus interesses e os do capital.

Outra etapa se abre na América Latina. No Uruguai, tudo acontece um pouco mais devagar, mas esses ventos estão chegando. São tempos complexos; tempos em que devemos enfrentar a direita na rua, nos locais de trabalho e estudo, no campo, em todos os lugares onde está em jogo a construção de uma sociedade diferente. Vão  tensionando a corda… Devemos também tensionar a organização popular em todos os níveis, porque estes tempos exigem aumentar os níveis de luta e organização.

PELA CONSTRUÇÃO DE UM POVO FORTE!

AVANTE OS QUE LUTAM!

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A agitação na caserna e suas ameaças

A mensagem do general Villas Boas na noite de ontem (03/04), acompanhada por um séquito de oficiais da caserna, selou quaisquer dúvidas e vacilações a respeito do golpe que se aprofunda no país. As Forças Armadas, que nunca deixaram a cena política, passaram a intervir na mesma de forma escancarada, em ultrajante violação as próprias normas constitucionais que em tese, haveriam de resguardar.  

O recado que passa o chefe em exercício das FFAA para o STF é claro: ou julguem conforme achamos melhor, ou então teremos de intervir. Apesar de indicar uma agitação política a fim de pressionar o supremo a negar o Habeas Corpus de Lula, o fato é que as últimas declarações de oficiais, tal como de setores da sociedade civil em seu apoio, colocam um cenário novo e preocupante na conjuntura: a agitação política em prol de uma intervenção militar, um Golpe de Estado “clássico” como saída autoritária e conservadora para a crise já faz parte das alternativas apregoadas pelas elites e difundidas pelos oligopólios da grande mídia sem quaisquer constrangimentos. 

Ou a ameaça de golpe procura estabelecer uma chantagem que visa buscar uma solução autoritária pactuada onde o exército age como instrumento de pressão sobre os outros poderes. Sendo blefe ou não, tal ameaça não pode ser desprezada pelos lutadores sociais.

O Estado Policial de Ajuste vai dando a cada semana novos indícios de que a tendência é aprofundar o protagonismo da milicada na vida política do país, através de um discurso de controle, de supressão das mínimas garantias e liberdades democráticas que foram conquistas a duras penas pelas gerações anteriores.

Cresce igualmente, o desenho de um cenário neoliberal onde os serviços sociais são totalmente precarizados, enquanto se garante (via medida provisória) os recursos das forças de repressão fora das restrições orçamentárias habituais. A mensagem é clara. Recorte social e porrete para o povo. Cabe mencionar que a construção desse estado-policial foi reforçada ano após ano, com a crescente intervenção militar nas favelas e a lei anti-terrorismo assinada pelo PT. 

A malfadada transição lenta, gradual e segura, fiada na impunidade dos crimes contra a humanidade perpetrados por militares e civis que sustentaram a ditadura, culminou em um frágil pacto social dando expressão à chamada “constituição cidadã” de 1988. Hoje, a deterioração social do país em mãos do rentismo e de velhas oligarquias faz com que essa mesma constituição passe a ser relativizada, passando por um processo de corrosão não em prol de maiores garantias democráticas e de direitos para a ampla maioria do povo trabalhador, mas sim como forma de endurecimento do regime e de privação de direitos elementares. 

O quadro de deterioro que evidencia o golpe de 2016, tal como sua permanente radicalização, chega ao ponto inclusive de colocar a democracia representativa, liberal e burguesa em xeque, como forma de acelerar a implementação dessa nova fase do capitalismo, em que a retirada de direitos do andar de baixo é exigida a fim de maximizar os lucros do andar de cima.

É preciso cortar o passo dos abutres pela raiz!

Chega a ser patética a crença depositada pelo petismo e seus satélites nas instituições republicanas. Apostaram na isenção destas, e hoje, não bastassem ser alvos de seus ataques, mostram-se impregnados por uma “síndrome de Estocolmo”, ao não reconhecer as evidentes conspirações em curso na caserna, tal como a manifestação oficial do partido que isenta Vilas Boas da conspirata em curso. 

Tragicamente esse cenário de deterioro social e político, que marca um perigoso retorno da extrema direita, com claros sinais fascistizantes, à cena política, não tem encontrado força social a altura para cortar o passo dos abutres. 

Por outro lado, parte expressiva da esquerda se encontra entorpecida no “canto da sereia” do Estado Democrático de Direito, rogando para que as instituições e seus representantes demonstrem bom senso e “resgatem” os valores constitucionais. Uma ilusão que está mais do que evidente. Para a burguesia e seus respectivos braços armados e institucionais, o Estado Democrático de Direito foi, é e sempre será um mero adorno para acobertar sua dominação, podendo ser suprimido quando assim julgarem eficaz. 

Não aprender com as trágicas derrotas de nossa classe nas últimas décadas pavimenta o caminho para a derrota e a desmoralização. Para barrar a escalada fascistizante da extrema direita urge iniciativas reais de luta e mobilização dos de baixo, os mesmos que não raras vezes vivem sem as próprias garantias constitucionais de 1988. A colaboração de classes e a crença inabalável de uma pacificação pelas próprias instituições do Estado no máximo postergarão para um futuro não muito distante uma nova e mais robusta intentona da extrema direita. 

Qualquer luta contra os setores conservadores só poderá ser efetiva se incluir os locais de trabalho, as fábricas, o campo e as ruas como lugar de luta. É à partir da mobilização da classe trabalhadora e do conjunto de oprimidos que se derrota qualquer avanço conservador. 

É preciso cortar o passo dos abutres pela raiz! 
Lutar para organizar! Organizar para lutar!

 

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