TODO APOIO À LUTA CONTRA A INTERVENÇÃO DE BOLSONARO NA UFFS

Nota da regional sul da Coordenação Anarquista Brasileira.
 
A educação pública está sob ataque! Os vermes que assumiram o governo brasileiro em 2019 vêm atacando dia após dia todas as esferas da educação, com o objetivo de sucatear o pouco que a população pode contar para estudar. Escolas sendo fechadas em diversos estados, a falta e a desvalorização de professoras(es),a retirada de disciplinas da formação básica das escolas públicas e a Base Nacional Comum Curricular são exemplos que já são sentidos no cotidiano das comunidades. Além disso, cresce a perseguição política e o constrangimento de educadoras(es), quando setores conservadores estimulam que suas aulas sejam filmadas e denunciadas, passando por cima da liberdade de ensino.
 
A pequena parcela da população que consegue chegar ao ensino superior também está ameaçada. Os cortes de verba anunciados pelo Ministro da Educação para as instituições federais de ensino superior ameaçam sua paralisação completa para os próximos meses. A dupla presidencial foi eleita com a defesa da meritocracia encontra as ações afirmativas. Na prática, suas ações mostram que seu objetivo é não ver mais gente negra, indígena e periférica com diploma de ensino superior. E, como todo dia é uma nova possibilidade para atacar um direito conquistado, recentemente foi apresentado o programa Future-se, que é o caminho explícito para a privatização do ensino superior, com o fim da maior parte da pesquisa científica de base, das ciências humanas, das atividades de extensão e das políticas de assistência estudantil.
 
As cartas foram dadas. A jogada é escolha dos envolvidos na mesa: os atuais reitores das universidades públicas podem optar por aderirem ou não ao programa. A trapaça desse jogo está na coação financeira e na própria escolha dos jogadores. A Reitoria das Universidades Federais é escolhida após consulta à comunidade e à formação de uma lista tríplice, a partir da qual o presidente faz a nomeação. Esse método já tem um sério problema em relação à democracia interna das universidades, visto que os professores possuem peso maior em sua escolha. No entanto, em diversas instituições o Governo Bolsonaro está ignorando o processo de debate e deliberação da comunidade universitária e indicando professores explicitamente alinhados a sua política. Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Bolsonaro acaba de nomear o candidato que ficou em terceiro lugar nas eleições, Marcelo Recktenvald.
 
É pelo conjunto dos ataques que a educação vem sofrendo, e também pela importância da UFFS para o interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que somamos nossa indignação e nossos punhos junto à resistência na comunidade universitária da UFFS. Essa universidade surgiu da luta coletiva dos movimentos sociais e do povo pobre do interior, como uma resposta ao descaso secular e a falta de políticas públicas para a região, em especial na educação superior para a juventude do campo. Não aceitaremos práticas ditatoriais nas escolas e universidades do povo, vamos responder com mais luta!
 
Desde a quinta-feira (29), quando a notícia veio a público, estudantes, servidores técnicos, servidores docentes e movimentos sociais da região ofereceram uma resposta imediata à intervenção na universidade. Uma assembleia organizada na sexta-feira deliberou pela ocupação da Reitoria, na cidade de Chapecó, que aconteceu no mesmo dia. O campus de Cerro Largo também já foi ocupado. As primeiras informações indicam a mobilização de setores alinhados ao Governo Bolsonaro para atacar a ocupação da Reitoria, em Chapecó. 
 
Chamamos os movimentos sociais, entidades sindicais e estudantis a divulgar a luta da comunidade da UFFS, fazer ecoar seu grito e cercar de apoio seus instrumentos de luta. Toda a solidariedade é fundamental e urgente nesse momento! 
 
Em defesa da educação, é marcha, piquete, greve e ocupação!
#ForaMarcelo!
 
Federação Anarquista Gaúcha (RS)
Coletivo Anarquista Bandeira Negra (SC)
Coletivo Anarquista Luta de Classe (PR)
 
Mais informações:
Página da ocupação da reitoria https://www.facebook.com/uffsocupada/
Texto dos movimentos da Via Campesina na região https://www.facebook.com/mab.oeste/posts/1267842513376996

 

Posted in Notas | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Comentários desativados em TODO APOIO À LUTA CONTRA A INTERVENÇÃO DE BOLSONARO NA UFFS

Nota da CAB ao mês da Visibilidade Lésbica

Atualmente, no Brasil, uma pessoa LGBT é assassinada a cada 16 horas, em distintas circunstâncias e sem precisão de dados. Na maioria das vezes, corpos negros e periféricos compõem as principais vítimas. Também diariamente, essas pessoas são agredidas verbal, psicológica e simbolicamente. Expulsas de casa, levadas à rituais de exorcismo, ou a prostituição precoce. Forçadas, a assumirem compulsoriamente uma heterossexualidade que não puderam questionar. Tendo a humanidade negada, com poucos referenciais de uma vida plena e com dignidade.

Em razão dessa realidade, o cisheterossexismo não pode mais ser ignorado em sua condição ideológica da qual o Estado é dependente e dele emanam tecnologias de engenharia social. Por trás da eliminação da cidadania plena dos sujeitos, se estende desde um controle dos direitos reprodutivos, até a captura das pautas pelas armadilhas capitalistas dos direitos individuais (casamento, a adoção e herança), retribuídas com “arejamento” à democracia, às custas de disciplina e docilidade dos corpos. As identidades refletidas devem, então, levar em conta tanto a relevância da classe social, quanto da raça, do gênero e da sexualidade, na formulação de identidades imbricadas (Combahee River Collective, 1979) e denunciar que a norma binária e heterossexual faz parte intrínseca do Estado. Deste modo, não mais serem restritas às chamadas “pautas identitárias”, mas integrarem o compromisso militante, de serem reconhecidas na diversidade dos sujeitos e na luta ombro a ombro. Escurecendo tabus, pensando estratégias, exercitando a escuta e compartilhando relatos. Em defesa de uma educação emancipadora de gênero e sexualidade como parte fundamental no combate à violência LGBTfóbica.

Com essa intenção, nos integramos e saudamos as construções Brasil afora do Agosto da Visibilidade Lésbica e, mais especialmente, da 6ª Jornada Lésbica Feminista e Antirracista. No mês que celebra a realização do primeiro SENALESBI, como a Revolta histórica do Ferro’s Bar, direcionar a atenção e evidência à arte, literatura, cinema, saúde, representações e história lésbicas damos importância à resistência psicológica e física, através da solidariedade, por tempos difíceis. É tempo de lutar contra toda discriminação e preconceito! De lutar contra o avanço conservador e de defender o direito à existência plena de todos os corpos.

Sem esquecer do luto convertido em luta por Luana Barbosa, Iasmym Nascimento de Souza da Silva e Juliana Dantas Monteiro. Com sede de justiça, reorientamos nossos passos e juntas e juntos no compromisso.

Posted in Notas | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , | Comentários desativados em Nota da CAB ao mês da Visibilidade Lésbica

Em caso de incêndio queime o latifúndio e o imperialismo: em defesa da Amazônia!

    No mês de agosto a sociedade brasileira e internacional foram surpreendidas pelo aumento em 50% do desmatamento e de 70% nas queimadas na Amazônia Legal. A Ministra da Agricultura do Governo Bolsonaro, Tereza Cristina, apelidada de musa do veneno, correu para justificar o fenômeno depositando de imediato a culpa nas condições climáticas da região. Rápido se elegeu o principal vilão, a própria natureza: o verão e o início do período seco na hiléia amazônica.  

  Porém, uma coisa chamou a atenção dos movimentos sociais e dos órgãos de fiscalização ambiental no último dia 10. Uma convocatória que circulou pelas redes sociais e foi publicada por um jornal do município de Novo Progresso, no Oeste do Pará, chamada de “Dia do Fogo”. Trata-se de uma campanha orquestrada pelo latifúndio no Pará e que rápido se espalhou por todo bioma amazônico. Em entrevista para a “Folha do Progresso”, o fazendeiro que mobilizava sem pudor para incendiar a floresta anunciava o objetivo “mostrar vontade de trabalhar ao presidente Bolsonaro”. Precisamos mostrar para o presidente que queremos trabalhar e único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, iniciando o que o agronegócio chamou de “queimadaço”.

 Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas (Inpe) mostraram um incremento significativo nas queimadas nesse dia 10 de agosto e nos dias posteriores, principalmente nos municípios de Novo Progresso e Altamira, ambos cortados pela BR-163 e campeões de desmatamento na região amazônica. De acordo com o Inpe, Novo Progresso teve 124 registros de focos de incêndio no “dia do fogo”, um aumento em 300% em relação ao dia anterior. No dia seguinte foram 203 focos. Em Altamira, os satélites detectaram 194 focos de queimada em 10 de agosto e 237 no dia seguinte, um aumento impressionante de 743% nos focos de incêndio. Fica clara então a participação efetiva do chamado “setor produtivo” no crime ambiental e a participação do governo, que por suas políticas neoliberais de precarização dos serviços sociais, neutralizou e sufocou o IBAMA, o INPE e o ICMBIO, numa política de apoio a sanha destrutiva do regime econômico primário-exportador. 

Contudo, não podemos isentar o Estado (em todas as esferas) na anuência de tais ações provocadas pelos agentes capitalistas na fronteira amazônica. Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) denunciamos sistematicamente a ação seletiva e classista do estado brasileiro. Ao contrário do que comumente se apregoa o Estado não está ausente na região, ele só escolhe onde atuar e de que lado quem deve atuar. De 2012 para cá, todos os mecanismos conquistados de defesa da natureza e dos territórios dos povos tradicionais e camponeses foram alterados. Começou com o Código Florestal cujo relator pertence inclusive a esquerda eleitoreira e institucional, o senhor Aldo Rebelo (na época do PCdoB, hoje do Solidariedade) ainda no Governo Dilma (PT), se envolveu com a reforma  do Código de Mineração abrindo possibilidades de lavra, inclusive em territórios indígenas no Governo Temer (PMDB) e se concretiza com a política de desmonte total do controle ambiental através do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles no Governo Bolsonaro (PSL). Tais ações interditam qualquer mecanismo de demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas e paralisa completamente qualquer política de reforma agrária neste país.

Cabe afirmar que a oposição entre o governo da França e o do Brasil nessa questão expressam apenas divergências e disputas pontuais no interior da classe dominante e da burguesia, de como tratar a questão ambiental e o alinhamento geopolítico em nosso continente. De um lado, o governo reacionário, entreguista e baseado no agronegócio de Bolsonaro. De outro, uma burguesia industrial e financeira internacional, que com seu discurso neoliberal de “capitalismo verde” (apoiado pela Rede Globo aqui) busca apenas criar condições para privatizar a região Amazônica. Soma-se a isto, interesses geopolíticos europeus de consolidar zonas de influência diante essa intensa disputa comercial global, que tem na América Latina, alvo do imperialismo e seus sócios locais, seu quintal. Soa como um teatro de mau gosto, as declarações de defesa da soberania pela alta cúpula do exército brasileiro e pelos membros do governo de Bolsonaro, fingindo que agora, sentem-se ultrajados pelas bravatas internacionais. A única “soberania” que o governo entreguista de Bolsonaro e seus lacaios querem é poder dilapidar e queimar –literalmente – os recursos naturais de nosso território (como o petróleo) e entregá-los ao seu patrão, o governo dos EUA. A “soberania” de Bolsonaro serve apenas para escolher um imperialismo que lhe permita queimar, privatizar e cortar, enquanto destrói o direito dos trabalhadores do campo e da cidade. Não há saída para os povos do mundo e para a natureza no capitalismo verde e nem no projeto agrário-exportador brutal, representado por Bolsonaro.

A CAB se coloca frontalmente contra essas políticas perversas para nossos povos e reverbera as vozes da floresta como a do Povo Ka’apor no Maranhão que afirma que “floresta é nossa mãe. O território é nossa casa. Eles são nossa vida. Nós que defendemos!” Se coloca ombro a ombro com os seringueiros que desde de Chico Mendes desenvolveram a tática de luta do empate para barrar o avanço da pecuária sobre a floresta no Acre. Solidariza-se com o povo do Cajueiro, no Maranhão, que foram brutalmente despejados de seu território quilombola ancestral pelo Governo Flávio Dino (PCdoB) e sua sanha desenvolvimentista. Apoia palmo a palmo a autodemarcação construída com muita força pelo Povo Munduruku no Oeste do Pará. Navega junto aos ribeirinhos na sua luta contra as hidrovias no Furo do Rio Capim em Abaetetuba no Pará que só servem para atender os grandes produtores de grãos, especialmente da soja, oriunda do norte do Mato Grosso. Apoiamos e reforçamos que a única saída é a ação direta dos povos do campo, da floresta e da cidade, no enfrentamento contra o projeto ecocida e anti-povo do capital e do Estado. Por fim, tomando os ensinamentos do geógrafo anarquista Elisée Reclus, que dizia que a humanidade é a natureza tomando consciência de si mesma, então reivindicamos que essa mesma natureza é um sujeito de direitos e como tal deve ser respeitada e protegida. Os mecanismos para tal não sairá do G-7 com sua ajuda imperialista milionária. Só através da auto-organização dos Povos da Amazônia construindo e controlando seus territórios organizados em relações políticas e sociais horizontais e autônomas. Dessa forma conseguiremos barrar o avanço da destruição da região e não se submeter nem aos ruralistas, nem aos colonizadores oportunistas.

Viva os povos da floresta!

Fora Bolsonaro e seu latifúndio assassino!

Fora Macron e seu capitalismo verde!

Viva uma Amazônia livre das garras do Capitalismo e do Estado!

 

 

Posted in Notas | Tagged , , , , , , , , , , , , | Comentários desativados em Em caso de incêndio queime o latifúndio e o imperialismo: em defesa da Amazônia!