Contra a memória maldita de 1964: fora militares! Da política e das ruas!

No dia primeiro de abril, dia da mentira (31 de março para os golpistas), há exatos 56 anos, forças militares ligadas ao empresariado brasileiro, ao imperialismo e aos setores mais reacionários da classe dominante operaram um golpe militar que jogaria o país numa longa noite de escuridão.

O golpe militar foi preparado anos antes, com recursos de duas instituições golpistas, o IPES e o IBAD, que com apoio explícito das agências de inteligência norte-americana, estimularam uma campanha de desestabilização do governo João Goulart. Para isso, atiçaram e financiaram as “Marchas da Família, com Deus e pela liberdade”, jogando parte da classe-média no colo da reação e do anticomunismo. Com o discurso alarmista (e mentiroso) de que o país vivia sob a ameaça do “comunismo”, organizaram campanhas que tinham como objetivo derrotar o bloco nacional-reformista representado por Jango e as demandas de parte da população brasileira, que exigia apenas reformas populares e mudanças sociais na profunda desigualdade social do país. O golpe representou o fim da conciliação de classes, formalizado na derrota do populismo de Jango e a evidência de que as classes dominantes brasileiras, periféricas e dependentes jamais admitiriam que os/as de baixo recebessem algumas migalhas que caíam da mesa.

Como sempre, a classe dominante brasileira, recorrendo às mentiras, à ignorância de um setor da classe-média, ao reacionário alto comando militar e à sanha da burguesia em aumentar a exploração sobre o povo, recorreu ao porrete para silenciar os movimentos organizados dos sindicatos, dos estudantes, dos camponeses e lutadores/as sociais. Assim, se generalizou a tortura, as prisões, os assassinatos, os estupros nos quartéis, as ocultações de cadáver pelos “honrados” militares brasileiros e as agências de repressão. Um desses canalhas era o torturador e bandido Brilhante Ustra, o ídolo do atual presidente Jair Bolsonaro. Depois de 21 anos de ditadura, aumentaram a pobreza, a desigualdade social e o salário dos trabalhadores foi achatado. A classe dominante afogou a luta popular com sangue, mesmo com a valente rebeldia dos sindicatos, das organizações de luta armada e do movimento popular em geral.

Hoje, a natureza perversa do Estado, trocou de uniforme. Em meio a democracia burguesa, um democracia esta que não serve para resolver os problemas de nosso povo, os militares financiam politicamente o presidente Bolsonaro. Um presidente que se nega a cumprir as resoluções da OMS, odeia a ciência e não se importa com o destino e saúde de seu povo. Em nota deplorável, abjeta, o alto comando militar, em publicação do dia 30 de março, chama o golpe e a ditadura militar de “movimento de 64”. Invertendo a realidade, afirmam que o “movimento” reforçou a democracia, quando na realidade, a censura, a tortura, o arbítrio e o terrorismo de Estado foram práticas comuns dentro e fora dos quartéis. Pagamos um preço muito alto por não termos punido todos os envolvidos com a ditadura militar brasileira e o golpe que a precedeu. Temos, então, uma democracia burguesa repleta de práticas ditatoriais e com viúvas da ditadura fazendo política hoje, vivos e livres, comemorando, tal como Bolsonaro e Mourão, o podre regime inaugurado em 1964. Um dos resultados dessa ausência de acerto de contas é aceitar um presidente lunático que hoje ameaça assassinar seu povo, desprezando a pandemia do corona vírus, e é um fã declarado da ditadura militar brasileira. Mesmo presidente que, apoiado pela burguesia mais inescrupulosa, rodeado de militares e políticos de extrema-direita, convocou no dia 15 de março manifestações que solicitavam um novo golpe militar, e em entrevista, quando perguntado se daria um golpe, disse que “quem quer dar um golpe não avisa”.

Que o povo não se engane! Quem fala em intervenção militar, ditadura ou militares na rua fala em repetir práticas da ditadura pra silenciar o povo e fazê-lo passar fome. Por isso dizemos bem alto: Fora militares! Da política e das ruas! Não esquecer! Jamais Perdoar!

 

 

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A LUTA ESTUDANTIL ANARQUISTA FRENTE À PANDEMIA

A LUTA ESTUDANTIL ANARQUISTA FRENTE À PANDEMIA
 
A cada dia, os números da pandemia se multiplicam por todo o mundo, onde a grande maioria dos países já tem casos confirmados. Segundo a Unesco, cerca de 80% de todas as estudantes do mundo estão com as aulas suspensas nos níveis básico e superior, totalizando mais de 1,3 bilhões de pessoas (https://bit.ly/unesco2403)
 
Aqui no Brasil, Bolsonaro discursa contra medidas individuais fundamentais como buscar o isolamento social e as rotinas de higiene porque não tem nenhuma preocupação com nossas vidas, apenas com o lucro dos bancos e dos patrões. Além de defender essas recomendações de saúde, a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) já ressaltou a necessidade de derrubar o Teto de Gastos (Emenda Constitucional 95) e o não-pagamento da dívida pública para investir diretamente no SUS; a incorporação da rede hospitalar privada pelo SUS; e a garantia de um salário mínimo universal e a suspensão das contas e alugueis para permitir o isolamento das trabalhadoras precarizadas (https://anarquismo.noblogs.org/?p=1261).
 
Enquanto estudantes do povo, organizadas na CAB e atuantes no movimento estudantil em universidades públicas e particulares de diferentes regiões do país, propomos algumas linhas de atuação para as lutas estudantis nas próximas semanas.
 
1. Suspensão de todas as aulas, incluindo o Ensino à Distância (EAD). Embora a maioria das federais já esteja apontando pela suspensão de todas as aulas, incluindo o EAD, a situação ainda está mais incerta em muitas estaduais e, principalmente, na rede particular. Ressaltamos que muitas estudantes estão sem acesso a internet, com incerteza sobre suas condições financeiras ou diretamente vinculadas ao cuidado de amigas e familiares em situação de risco. Manter as aulas neste cenário é penalizar as estudantes mais pobres e em situação fragilizada! Sabemos que a migração repentina para aulas online significa a precarização das condições de trabalho docente e da qualidade do processo educacional (http://reporterpopular.com.br/educacaobasicapresente/), motivo pelo qual sindicatos docentes também têm se oposto à medida (https://bit.ly/eadandes). Além disso, vivemos sob a pressão constante da diminuição de investimentos na educação para aumentar os lucros do grande empresariado do setor, que quer derrubar os limites previstos em nossas políticas educacionais e enfiar o EAD goela abaixo. Por isso, resistiremos contra essas medidas!
 
2. Suspensão de cobranças nas universidades particulares. A maior parte das estudantes do Brasil estão na rede privada e proporcionalmente ainda são as estudantes mais pobres. É fundamental a suspensão das aulas, incluindo EAD, mas igualmente suspender as mensalidades. Se não temos aulas, não podemos pagar! Além disso, lutamos por manter as políticas de permanência e pela liberdade de trancamentos e cancelamentos dos cursos e disciplina sem multas ou encargos.
 
3. Garantir o máximo de isolamento social para estudantes, servidoras e terceirizadas. Sejam universidades ou escolas, seja na rede pública ou privada, a situação é a mesma. Temos que garantir o direito de trabalhadoras e estudantes em manter o isolamento social. Isso exige que o movimento estudantil se solidarize à luta pela manutenção dos salários e contra o trabalho presencial de todas, em especial das trabalhadoras terceirizadas na limpeza, segurança, recepção, etc, sempre as primeiras a receber os ataques.
 
4. Condições de trabalho e segurança para trabalhadoras e residentes na Saúde. A exceção ao ponto acima são todas aquelas trabalhadoras de nossos Hospitais Universitários e nossas residentes em outros hospitais, maternidades, postinhos, etc. A participação das universidades públicas junto ao SUS é, talvez, o ponto em que sua importância aparece mais explicitamente para o povo brasileiro. No entanto, neste momento, muitas trabalhadoras e residentes estão no atendimento sem condições mínimas e equipamento de segurança sanitária. É fundamental lutarmos por essas garantias junto aos Governos Federal, Estaduais e também às Reitorias.
 
5. Condições de permanência real para as estudantes. Estamos sem Restaurante Universitário e, em muitos casos, em condições precárias e arriscadas nas Moradias Estudantis. A luta urgente é por políticas suplementares de permanência que possam garantir a moradia digna e recursos suficientes para nossa alimentação, através de novos editais, políticas emergenciais, distribuição dos alimentos que estão nos RUs, etc. A pandemia não pode servir como desculpa para expulsar as estudantes pobres das universidades!
 
6. Colocar as escolas e universidades a serviço da coletividade. Em nossas instituições educacionais, temos muita estrutura física construída que pode ser recurso valioso para enfrentar a pandemia. O primeiro passo é nos colocar à disposição como local para quarentena e isolamento de doentes, grupo de risco e todas aquelas pessoas sem moradia. As instituições também podem atuar como centros de triagem, pontos de distribuição de doações, etc. No caso das universidades, temos centenas de laboratórios com recursos para ajudar com testes para o Covid-19, para teleatendimento, para produzir equipamentos e insumos químicos hospitalares, capacidade de produzir infraestrutura tecnológica para analisar dados e gerir recursos, etc. É hora de colocar nossa capacidade científica à disposição do combate à doença, cujas piores impactos serão no povo mais pobre!
 
7. Defender as bolsas de pós-graduação e o trabalho das estudantes-pesquisadoras. No Brasil, quase toda a produção científica é feita nas universidades públicas e a maior parte dela passa pela mão das estudantes de pós-graduação. Papel fundamental que não recebe reconhecimento minimamente adequado, pois não há salário nem direitos trabalhistas e previdenciários – e as bolsas, que não atendem nem metade das estudantes, estão há sete anos sem reajuste! No último mês, a CAPES implementou sem diálogo novos critérios para a distribuição das bolsas de tal forma que estão sendo cortadas mais milhares de bolsas por todo o país – em meio à pandemia que nos impede de sair de casa! É urgente pressionar o MEC e a CAPES para revogar essas medidas, sob o risco de jogarmos mais milhares de pessoas na ameaça de fome e desespero que já faz parte da pandemia.
 
8. Organização estudantil e ajuda mútua contra a pandemia, Bolsonaro e todos os de cima. Nossos esforços, neste momento, possuem duas direções complementares. Por um lado, temos que estar organizadas através dos Centros Acadêmicos, diretórios, coletivos estudantis e entidades acadêmicas para formular e disseminar reivindicações aos governos e patrões, a partir das linhas sugeridasacima e das demandas concretas que surgirem. Ao mesmo tempo, cada espaço de organização e luta também deve se transformar em um ponto de ajuda mútua entre nós para garantirmos nossa sobrevivência e vida digna. Por todo o país, já se organizam grupos estudantis para arrecadar dinheiro, doações de alimentos, produtos de limpeza, acolhimento e cuidado psicológico, troca de informações, etc. Esse é um importante princípio anarquista que queremos manter vivo nas lutas estudantis hoje: em meio à luta, construímos também novos valores e as sementes de um mundo socialista e libertário.
 
Guerra aos de cima, mas também braços dados entre nossas irmãs e irmãos das classes oprimidas!
 
A educação do povo não se vende, se defende!
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UM INIMIGO VISÍVEL: OS PATRÕES PARASITAS

Se o tremor que tem sacudido o Mercado Financeiro e abalado as bolsas de valores ao redor do mundo tem em grande parte origem nas disputas geopolíticas de sempre e no tensionamento que se faz dos preços do petróleo, também é dado pela instabilidade gerada pela pandemia do novo Coronavírus, o Covid-19.

Com o espalhar-se da doença, o Capitalismo tem tido suas fragilidades exposta por um inimigo invisível, o vírus que pode até ter portadores saudáveis e que tem levado os governos a adotar medidas de quarentena e restrição da circulação das pessoas. Em três meses a Humanidade e o planeta Terra parecem estar sob o terrível e imprevisto ataque deste inimigo.

A produção e circulação de mercadorias porém prossegue quase que em ritmo inabalado e já vemos os patrões e empresários pressionando para poderem se manter mesmo que isso signifique colocar em risco milhares de trabalhadores e trabalhadoras, como é o caso das entregas por aplicativo,  as quais Felipe Ramos Fioravante, CEO e fundador do Ifood, cinicamente incentiva os entregadores a adotarem por conta própria algumas medidas de precaução para poder continuar trabalhando.

Muito especulou-se sobre a origem deste novo vírus, em especial sobre sua origem animal, com os grandes jornais e noticiários indicando morcegos e outros animais silvestres que teriam transmitido o vírus aos chineses a partir do consumo de sua carne. De fato, a possibilidade de uma origem animal até agora é a mais provável, porém deve-se buscá-la nas grandes criações difundidas por todo o planeta, promulgada pelo Agronegócio, um poderoso setor no Brasil que une latifundiários e empresários assassinos como Werner Baumann, CEO da Bayer, que não apenas não se importam em matar camponeses e indígenas, como veem há anos envenenando a população através dos agrotóxicos.

Os mercadores da fé, encabeçados por Edir Macedo e Silas Malafaia, demonstraram sua falta de preocupação pela saúde do povo ao negarem-se a interromper os cultos de suas igrejas, ousando até vender artefatos ‘ungidos’ para a proteção dos fiéis a altos preços, lucrando indiscriminadamente mais uma vez com o sofrimento e a insegurança.

Por fim, mas não por isso menos responsáveis está a classe política, que vem desmontando e sucateando o SUS, que pouco se importam pela saúde dos mais pobres e que hoje são obrigados a tomar medidas emergenciais ou ao menos pretender que as estão tomando.

Parece, portanto, que uma ameaça bem maior no momento é este inimigo visível, são os patrões-parasitas, inimigos declarados do povo e que irão arriscar nossas vidas para manter seus lucros e, eventualmente, utilizar o Coronavírus como cortina de fumaça para passar mais medidas de austeridade e incrementar o Estado policial de ajuste.

Enquanto o Ministro da Economia, Paulo Guedes, anuncia fundos emergenciais escondendo que trata-se apenas de um adiantamento de dinheiro já dentro do orçamento anual, Bolsonaro declara-se contra a quarentena e que deve haver algum meio termo, revelando assim o interesse seu e dos patrões facínoras que por medo da recessão economica querem obrigar o povo a trabalhar para não sofrer mais perdas econômicas em suas receitas já bilionárias. A falta de um plano concreto não revela o despreparo do Ministro e do Governo, mas o fato de que a burguesia não se importa com o contágio e morte de milhares de trabalhadores e trabalhadoras!

Nenhuma demissão usando a infecção de Coronavírus como desculpa!
Congelamento dos preços de produtos de cesta básica apesar da crise econômica!
Punição dos capitalistas que expuserem trabalhadores ao risco do coronavirus, responsabilização das empresas e governantes pela estrutura produtiva que gerou a epidemia!

 

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