23 anos do Massacre de Eldorado do Carajás – Nenhum silêncio! Uma vida de lutas contra o latifúndio e as injustiças no campo brasileiro

No dia 17 de abril de 1996, os camponeses organizados sob a fileira do MST/PA organizaram uma grande assembleia e decidiram marchar para capital do Pará, Belém, para apresentar sua pauta de reivindicações junto ao Governo do Estado e discutir com o conjunto da sociedade a necessidade de uma ampla reforma agrária. Dentre os pontos, a desapropriação do complexo conhecido como Macaxeira. Um mosaico de fazendas que totalizavam 42 mil hectares situados no Município de Eldorado do Carajás. No trajeto, na altura da Curva do “S” na PA-150, com fome e sede, decidiram bloquear a rodovia para reivindicar do INCRA mantimentos e água para continuar sua jornada. Tal ato parou a circulação de mercadorias e pessoas que vinham tanto de Marabá quanto de Parauapebas no Pará. Isso deixou Fazendeiros e Vale do Rio Doce furiosos na medida em que não podiam deslocar suas mercadorias e nem muito menos os carros de valores oriundos da sede da CVRD em Carajás.

Pronto. Estava completa a equação para repressão. Ocupações sistemáticas de terra e agora o impedimento da drenagem de suas mercadorias impossibilitando os seus lucros. Foi quando se percebeu a perfeita sintonia entre Capital e Estado contra os trabalhadores. Uma ligação da Vale para o então Governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), determinou a retirada dos lavradores “de qualquer maneira da estrada” (depoimento do Coronel da PM Pantoja, um dos coordenadores da Operação). Foi quando dois batalhões da Polícia Militar do Pará se deslocaram para a Curva do “S” e promoveram o massacre – 21 camponeses assassinados e 69 mutilados. Dentre os depoimentos dos sobreviventes, além da polícia não usar identificação, foram reconhecidos famosos pistoleiros da região vestindo a farda da corporação. O mais famoso é um indivíduo de alcunha “Papagaio” que estava muito bem “ambientado” no interior dos coturnos e gandólas de propriedade da PM.  A essa altura, os corpos das vítimas do Massacre de Eldorado tinham sido levados para o IML de Marabá e o legista Nelson Massini, responsável pela identificação da ossada do carrasco nazista Josef Mengele. Ele ficou responsável pela necrópsia dos corpos retirados da curva do “S”. Constatou que sete dos sem-terra foram torturados a golpes de foice e facão e depois executados, dois receberam tiros na nuca.

Passados 23 anos quais são lições que os trabalhadores podem tirar de mais esse massacre promovido pelo Estado? Depois de tantos tombados na luta em solo amazônico como Paulo Fontelles, Padre Josimo, os irmãos Canuto, Quintino Lira, Dezinho, Fusquinha, Dilma e os massacres de Corumbiara, Haximu, Fazenda Ubá.  Bom lembrar também dos mais de 700 mortos em conflitos agrários durante os anos da ditadura militar no Pará. O que podemos aprender com tudo isso? Primeiro a necessidade de nossa auto-defesa em nome da vida de tantos companheiros e companheiras preciosos. Segundo, que a morte de cada lutador não será em vão. Servirá de combustível para alimentar nossa força militante na luta contra o latifúndio, as injustiças, a defesa da natureza e pela autonomia de nossos territórios. Seja nos assentamentos, nos quilombos e nas aldeias.

CONTRA O LATIFÚNDIO E AS INJUSTIÇAS!
VIVA A LUTA DAS TRABALHADORAS E TRABALHADORES DO CAMPO!

 

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Contra o Genocídio do Povo Negro e a Barbárie dos Ricos!

Oitenta tiros fulminaram Evaldo Rosa, trabalhador Negro, músico, que
voltava de um compromisso social com sua família. Os responsáveis:
militares do exército que patrulhavam o bairro e, segundo relatos, ainda
debocharam da família depois da ação.
 
O sistema escravocrata, abraçado pelos ricos no século XIX, fincou as
bases do racismo estrutural das elites e que hoje permanece como uma
chaga. A população negra brasileira é maioria, mas segue sofrendo os
efeitos de uma sociedade de classes, construída sobre as bases do
supremacismo branco.
 
Nenhum governo deste país se propôs alterar, de forma profunda, o quadro
em que vive o povo negro. A violência policial é um dos pilares do
genocídio em curso há mais de 500 anos cometido pelo Estado brasileiro.
 
Tais atos de violências provocados pelas elites seguem se aprofundando
sob a tutela de Jair Bolsonaro em nível federal e de Wilson Witzel em
nível estadual, que cada vez mais dão carta branca às polícias e
militares brasileiros para matar. Desde o decreto do governo Temer,
autorizando os militares a serem punidos apenas pela justiça militar,
caso estejam em operação pelo poder executivo, se aperfeiçoou um estado
de exceção para os mais pobres, parcela do povo composta em sua maioria
pela população Negra. Os dados confirmam que os militares e policiais se
sentem mais confortáveis para atirar e matar, principalmente quando os
alvos são negros. O número de mortes por intervenção de Agentes do
Estado no Rio de Janeiro até agora é o maior da série histórica,
iniciada no ano 2000! Em janeiro de 2019, policiais mataram 160 pessoas,
um aumento de 82% em relação ao mês anterior.
 
Usam meios típicos de ditadura militar, utilizados principalmente contra
os mais pobres, aliados ao racismo estrutural incorporado nas
instituições de (in)segurança do Estado.
 
Porém, é importante ressaltar que casos como o de Evaldo não são novos.
Sejam os 111 tiros que mataram os meninos de Costa Barros em 2015, seja
o tiro que matou o menino Eduardo no Alemão em 2015, ou o tiro que matou
Maria Eduarda dentro de uma escola em Acari em 2017. Governos
diferentes, mas o mesmo projeto político do Estado genocida.
 
Não podemos aceitar que nenhum trabalhador negro, nem a juventude negra,
seja massacrados pela barbárie capitalista, articulada ao racismo e à
supremacia branca!
 
Precisamos fortalecer atos que repudiem essa morte, que punam os
responsáveis (praças e oficiais) e parem com o extermínio do povo negro
no Rio de Janeiro e no Brasil.
 
Contra o genocídio do povo negro, nenhum passo atrás!
Não é acidente! É projeto de Estado!
 
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55 anos do Golpe Militar – NÃO ESQUECER, NÃO PERDOAR!!

Neste 31 de março, não temos nada a comemorar. Há 55 anos atrás, foi instaurado no Brasil uma Ditadura Militar, que assassinou centenas de pessoas! Apoiados pelo empresariado e pela grande mídia nacional; controlando os setores da justiça burguesa, os militares construíram o mito de que são melhores árbitros para as questões políticas e que, durante o tempo que estiveram no poder, não houve corrupção e, muito menos, presos políticos. Contudo, a realidade é que o período militar foi sangrento e buscou calar a voz do povo e de qualquer um que se posicionasse de modo minimamente progressista. O regime militar instaurou a violência e institucionalizou a tortura. A ditadura foi um projeto arquitetado e colocado em prática para atingir interesses de determinados grupos – de direita, conservadores, empresariado – e contou com o apoio dos Estados Unidos da América – que também tinha, e continua tendo, seus interesses.

Prova da institucionalização da tortura é o fato de que a Polícia do Exército teorizou e experimentou diversos métodos de tortura nas chamadas “aulas de tortura” com “presos cobaias” – o público era constituído de militares e as aulas ministradas por oficiais que projetavam material sobre tortura e o aplicavam na prática como forma de exposição. Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade, foram aplicados mais de 30 tipos de torturas; mais de 20 mil pessoas foram torturadas, 191 mortas, 210 desaparecidas; e esses números ainda não definitivos. No que se refere às mulheres, os militares extravasaram todo o seu machismo e ódio por elas. A ditadura militar constituiu, também, uma espécie de institucionalização da violência contra as mulheres, uma vez que os militares torturadores se utilizavam da condição de mulheres das torturadas para intensificar as torturas físicas e psicológicas. Além de estupradas, terem animais inseridos em suas vaginas, essas mulheres sofriam com as ameaças a filhas e filhos, com acusações de serem mães e mulheres ruins, abortos causados pela tortura etc. As marcas de tais brutalidades jamais serão apagadas da memória daquelas que conseguiram sobreviver, o que significa uma tortura diária por toda as suas vidas!

Os militares perseguiram, torturam, estupraram e mataram! Temos razões para nos preocupar com o atual cenário que se desenha no país, pois observamos a união dos mesmos ingredientes que fomentaram o golpe de 1964. Apesar dos fatos, a narrativa de que não ocorreu um golpe em 1964 e sim uma “revolução” continua a ser propagada nos últimos tempos com força ainda maior – com certa tentativa de respaldo teórico através de personagens acadêmicos. No Brasil, isso só é possível porque, diferente dos nossos vizinhos latinos, as contas com esse nefasto período não foram acertadas. A Lei de Anistia, 1979, possibilitou um dos maiores silêncios na nossa história, visto que, “ampla, geral e irrestrita” tal como os militares propuseram, deixou a possibilidade para que o revisionismo sobre a ditadura militar voltasse à tona. Agora, disputa-se não só a opinião dos “convertidos” da direita fascista, mas sim muda-se a realidade ao instalar no imaginário popular um cenário de que “nunca existiu”.

A esquerda institucional, quando no poder, não enfrentou esses problemas com o devido peso e atenção. Durante os governos do PT, preferiram fazer acordos com as elites do Brasil e, ainda, deixaram que os militares continuassem a fortalecer suas doutrinas, iniciadas no Regime Ditatorial Militar e que configuram o carro chefe desse atual governo; ou seja: pintar como comunista e de esquerda qualquer discurso progressista. Cega, essa esquerda combalida não se ateve ao fato que a oligarquia do Brasil e os militares nunca deixaram de se articular. Sem um projeto estratégico, continuam a chamar como principal pauta o “Lula Livre”, defendendo um posicionamento que não muda nada estruturalmente.

No 31 de março, não comemoramos nada! Nem mesmo temos essa data como mera lembrança. Nessa data, temos que reagir contra os ataques feitos pelo fascismo, nos organizando e fortalecendo a luta popular, fortalecendo a construção de um Povo Forte e do Poder Popular. Nossa resposta aos que defendem a memória da Ditadura Militar como algo positivo será organizando as greves, nas lutas dos povos originários, nos bairros lutando lado a lado com o povo.

Lutaremos para que outro golpe não seja gestionado e, para isso, acreditamos que as nossas conquistas não serão defendidas no parlamento e, muito menos, reivindicando a democracia burguesa.

Não Esquecer! Não Perdoar!

 

 

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